{"id":7,"count":12,"description":"Se 2021 continua sendo um ano de grandes perdas em tantos setores da vida individual e coletiva, o mesmo n\u00e3o se pode dizer sobre a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria queer brasileira. Talvez nunca se tenha publicado no Brasil tantos livros escritos por autores LGBTQIA+ quanto neste ano em que chegamos \u00e0 quarta edi\u00e7\u00e3o do Mix Liter\u00e1rio. Da poesia e fic\u00e7\u00e3o aos relatos hist\u00f3ricos, memorialistas e autobiogr\u00e1ficos, nossa comunidade parece estar garantindo seu espa\u00e7o no meio editorial brasileiro, seja para falar de experi\u00eancias espec\u00edficas a nossas exist\u00eancias dissidentes, seja para lan\u00e7ar um olhar queer para uma coletividade mais abrangente. Neste ano \u00e9 forte a presen\u00e7a de autores jovens e consagrados que trazem um olhar mais amplo sobre o caos social que tem engolido at\u00e9 os mais privilegiados, provando em narrativas originais a sabedoria popular de que \u201cquem v\u00ea de fora v\u00ea melhor\u201d. Ou ser\u00e1 que j\u00e1 estamos bem inseridos em todas as bolhas? Ser\u00edamos apocal\u00edpticos E integrados? N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa nossa fus\u00e3o provocativa entre esses dois polos culturais aparentemente inconcili\u00e1veis, tais como concebidos por Umberto Eco. Fazemos do erro nosso acerto e do fracasso nosso sucesso, como sugere Jack Halberstam, e ainda num pa\u00eds que \u00e9 a \u201ccontribui\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria de todos os erros\u201d segundo a li\u00e7\u00e3o modernista j\u00e1 quase centen\u00e1ria. A comunidade queer brasileira e internacional tem revelado escritores e obras que ensinam a todo o meio editorial uma renovadora implos\u00e3o dos conceitos de g\u00eanero liter\u00e1rio, c\u00e2none, estilo, unidade, identidade, numa esp\u00e9cie de reantropofagia, como sugere uma obra do pintor ind\u00edgena Denilson Baniwa. S\u00e3o livros que fundem tend\u00eancias antes inconcili\u00e1veis, como a alta literatura e os g\u00eaneros populares, colocando a erudi\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o do baixo ventre e o riso na pesquisa da transcend\u00eancia, unindo o corpo-performance e a poesia-papel, fundando o hibridismo como \u00e9tica-est\u00e9tica, a mescla de estilos como um modo de provocar pontes e cidades imagin\u00e1rias num mundo t\u00e3o dividido e hiperespecializado. N\u00e3o falamos mais s\u00f3 para os guetos. \u00c9 a diversidade desdobrando suas ess\u00eancias errantes contra os totalitarismos agonizantes.","link":"https:\/\/mixbrasil.org.br\/29\/categoria\/festival-mix-brasil-2021\/literatura-festival-mix-brasil-2021\/","name":"Literatura Festival MixBrasil 2021","slug":"literatura-festival-mix-brasil-2021","taxonomy":"category","parent":4,"meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mixbrasil.org.br\/29\/wp-json\/wp\/v2\/categories\/7","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mixbrasil.org.br\/29\/wp-json\/wp\/v2\/categories"}],"about":[{"href":"https:\/\/mixbrasil.org.br\/29\/wp-json\/wp\/v2\/taxonomies\/category"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mixbrasil.org.br\/29\/wp-json\/wp\/v2\/categories\/4"}],"wp:post_type":[{"href":"https:\/\/mixbrasil.org.br\/29\/wp-json\/wp\/v2\/posts?categories=7"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}