Nos fluxos contínuos da existência, há sempre algo que transborda. Gestos, sons e imagens decorrentes de descobertas, de modos reinventados de viver, deixam de caber nos contornos que até então delimitavam o possível. O símbolo de adição, que acompanha a sigla LGBT+, anuncia virtualidades ilimitadas: o desejo de seguir somando e de abrir espaços para o que ainda não tem nome. “A Gente Quer +”, este é o mote da 33ª edição do Festival Mix Brasil da Cultura da Diversidade, em sua postulação por mais presenças, mais empatia e, portanto, mais universos possíveis.
Desde o seu advento, na primeira metade dos anos 1990, o Mix Brasil celebra a arte como território por excelência de mediações – das linguagens artísticas às percepções existenciais, tendo por lastro as afetividades plurais. As obras ora apresentadas revelam interseções entre cinema, tecnologias imersivas, música, teatro e literatura, evidenciando que toda criação é também um ato de tradução cultural. Das criações estimuladas e veiculadas pelo Festival, emergem perspectivas capazes de reconfigurar as formas de ver, de dizer e de sentir o mundo.
É no encontro entre linguagens que esse evento já histórico, dedicado à valorização de expressões não normativas, exalta o direito de existir em todas as suas formas e cores. O Sesc tem na diversidade um dos valores-guia de sua ação sociocultural e educativa. O horizonte dos direitos – com a igualdade de tratamento e de oportunidades que ele sustenta – demonstra a importância que tem para a experiência democrática o fomento a espaços de convivência e pertencimento, onde a arte opera como idioma comum.
Sesc São Paulo